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Notícias

Ensinando a criança a pensar

postado em 07/04/2009 06:18 por Joao Henrique Priesnitz   [ 24/08/2009 13:39 atualizado‎(s)‎ ]


Fonte
: Jornal da Comunidade -
http://www.jornaldacomunidade.com.br
Edição 1062 - 04/04 a 10/04 de 2009 / Brasília - DF



Educação & Ciência


Ensinando a criança a pensar


A necessidade de formar cidadãos mais conscientes e participativos
fez com que o professor e filósofo Silvio Wonsovicz criasse um método de inserção da filosofia no ensino.
Jovens e crianças são instigados a questionar a realidade em que vivem


CAROLINE AGUIAR
cleal@jornaldacomunidade.com.br

Formar um cidadão crítico e reflexivo é a missão de todos os educadores. Com o objetivo de viabilizar o alcance desta meta, o professor Silvio Wonsovicz criou, no final dos anos 80, o Centro de Filosofia e Educação para o Pensar (Cenfep). A instituição promove, além do ensino da filosofia nas escolas, o uso desta disciplina durante todas as aulas e para todas as faixas etárias.

O Cenfep nasceu em Florianópolis, quando o professor Silvio fazia mestrado e presenciou muitos professores de filosofia desconectados da vida escolar. Então, defendeu sua tese justificando que a escola precisava ser mais reflexiva e o professor de filosofia seria a liderança que levaria os alunos e demais mestres a observarem os acontecimentos por ângulos diferentes.

A partir de então, inspirado nas ideias de Lipman, filósofo e educador norte-americano, Silvio começou a desenvolver o Sistema de Ensino Reflexivo (SER), consolidado através de treinamentos  para professores e materiais didáticos. O professor usou o arcabouço teórico de Lipman e o adaptou à realidade e ao cotidiano brasileiros.

Os livros são construídos dentro dos conteúdos escolares – história, geografia, ciência e português –, mas de uma forma reflexiva. Também existem assuntos que são tratados de forma interdisciplinar. As escolas só precisam se associar ao Cenfep e passam a receber todo o apoio para que possam adotar o método em sala de aula. O material didático também auxilia na aplicação da metodologia, mas não é essencial.


SER em Brasília

Não demorou muito para que a ideia se espalhasse pelo país. Já são mais de 300 escolas e 80 mil alunos utilizando o método em todo o Brasil. Há seis anos em Brasília, o Núcleo de Filosofia e Educação para o Pensar (Nufep), ramificação do Cenfep, já atendeu em torno de 50 colégios, 25 mil alunos e treinou 1.500 professores.

Lia Anhesim Bargo, professora aposentada e coordenadora do Nufep-DF, explica que o método visa levar as crianças a pensarem por si próprias. “O SER colabora com a emancipação do pensamento para que as crianças cresçam e pensem por si próprias. As escolas dão muito conteúdo e os alunos engolem isso sem refletir, o que dificulta o crescimento individual”, argumenta a professora.

Depois de aplicar o método, Lia garante que a turma acaba formando uma comunidade investigativa e os estudantes têm mais resultado. Os professores se tornam menos expositivos e mais reflexivos, os alunos por sua vez passam a avançar nos temas e a questionar acontecimentos do cotidiano, de uma forma que todos crescem juntos.

O criador do método, Silvio Wonsovicz, lembra que hoje não dá para pensar em um filósofo que não tenha conhecimentos pedagógicos, assim como não dá para pensar em um pedagogo sem conhecimentos filosóficos. “Pensar a escola de hoje, em nosso tempo e realidade, sem uma reflexão filosófica sistemática, é não estar sintonizado e atuando no foco principal da educação. Precisamos que as pessoas aprendam a ser felizes, a viverem intensamente e com razão”, explica o professor.

Para utilizar a filosofia, os professores são orientados a trabalhar os conteúdos que já são dados normalmente, mas de forma reflexiva. Ou seja, eles ensinarão as matérias fazendo questionamentos e ligações com o dia-a-dia das crianças.

Para filosofar basta exercitar o diálogo, o aprender a falar, ouvir, reconsiderar e ampliar suas ideias. Assim, os alunos estarão aptos a analisar a realidade de vários pontos de vista. O Nufep dá cursos de 240, 120 ou 40 horas para que os educadores aprendam a lidar com o método questionador e consigam instigar os alunos para que eles participem e pensem por si sós. “Além de ensinar o método, o curso tem o objetivo de motivar os professores a fim de que eles passem essa motivação para o aluno”, observa Lia.




Filosofia em ALTA - Ela é disciplina obrigatória nas escolas, mania na tevê, nas empresas e até nos livros para crianças

postado em 09/06/2008 07:39 por Joao Henrique Priesnitz   [ 09/06/2008 07:41 atualizado‎(s)‎ ]

(fonte: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2014/artigo91916-1.htm)

RODRIGO CARDOSO


KARIME XAVIER/AG. ISTOÉ
CONTEÚDO Gabriela Campana, 17 anos, reúne-se com amigos para debater as idéias de Nietzsche e Maquiavel

Empresas contratam filósofos para palestras e consultorias, crianças de cinco anos travam o primeiro contato com o tema e, fora da sala de aula, adolescentes se reúnem para debater idéias de Nietzsche e Platão. Nascida na Grécia há mais de dois mil anos, a filosofia encontra terreno cada vez mais fértil no Brasil – até mesmo na tevê. No programa Fantástico, da Rede Globo, o quadro “Ser ou não ser” sobre filosofia entrará em sua terceira temporada. “A filosofia está em alta”, afirma a filósofa Viviane Mosé, apresentadora da atração. Ela, que carrega o mérito de tornar didático um tema pouco palatável, conclui: “O que está em baixa é a forma acadêmica de pensar.”

A crítica de Viviane é para o projeto de lei, recém-sancionado pelo governo federal, que obriga as escolas do País a incluir filosofia e sociologia no currículo do ensino médio. “Da maneira como o ensino é fragmentado, a filosofia vai ser mais uma decoreba sobre quem é Sócrates e quando nasceu Platão”, teme ela. Mas há boas iniciativas, como a do Centro de Filosofia Educação para o Pensar – Filosofia com Crianças, Jovens e Adolescentes, que ensina o tema para alunos a partir de cinco anos. Constituída de educadores e filósofos, o centro tem parcerias com 300 escolas do País. O método de ensino faz o aluno discutir filosofia em todas as disciplinas, e não apenas em uma matéria. “Prestamos assessoria pedagógica para professores e produzimos o material didático, que é adaptado ao nível cognitivo do aluno”, explica José Carlos Freire, assessor pedagógico do centro. Filósofo e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Mário Sérgio Cortella também foca nos filósofos mirins. Ele lançará este ano O que é pergunta, seu primeiro livro sobre filosofia para crianças. O interesse do mercado editorial pelo tema é crescente.

“Por muito tempo, a tecnologia fez o mundo focar no ‘como’ em detrimento dos ‘porquês’ e, enfadadas, hoje as pessoas procuram reflexões”, explica Cortella. No ano passado, ele deu 30 palestras sobre filosofia e ética para gestores do Banco Bradesco. “Ficou chique consumir filosofia”, diz o acadêmico, que discursa ainda aos funcionários da metalúrgica Gerdau sobre a diversidade humana. No Rio, a filósofa Viviane segue o mesmo caminho. “Ajudo o executivo a ler o que acontece no mundo contemporâneo e a agir no presente”, afirma.

Entre seus clientes estão a Petrobras, a Vale, O Boticário e o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo, que a contratou para falar sobre ética e comprometimento aos funcionários. Um dos maiores centros de cursos livres na área de humanidade, a Casa do Saber também percebe o maior interesse pelo tema. Criada em São Paulo, hoje atua também no Rio de Janeiro e expandiu o número de cursos de filosofia de nove, em 2004, para os atuais 175.

Componente curricular excluído da escola pela ditadura em 1968, a filosofia seguiu existindo em colégios particulares, como o Santo Américo, em São Paulo, que desde 1975 ensina a disciplina. Aluna do terceiro ano do ensino médio, Gabriela Campana, 17 anos, reúne-se com amigos, durante as férias, para debater as idéias de Nietzsche e Maquiavel. E filosofa ao falar do valor do conhecimento: “Para estabelecer princípios e formar uma maneira própria de agir é preciso saber como outras pessoas pensavam o mundo e tentavam melhorá-lo.”

Dia histórico: sancionada a lei que torna obrigatória as disciplinas de Filosofia e Sociologia na Educação

postado em 05/06/2008 12:47 por Joao Henrique Priesnitz

Fonte: Cenfep

Dia histórico
: sancionada a lei que torna obrigatória as disciplinas de Filosofia e Sociologia na Educação.

O presidente da República, em exercício, José Alencar, sanciona nesta segunda-feira, 2/06, às 16h00, no Salão de Atos do Palácio do Planalto, com a presença do Ministro da Educação Fernando Haddad e de grande público presente, a lei que torna obrigatório o ensino das disciplinas de Filosofia e Sociologia nas escolas de ensino médio, públicas e privadas. O Projeto de Lei nº. 1641/2003, do Dep. Ribamar Alves (PSB/MA), foi aprovado primeiro na Câmara dos Deputados, e no dia 8 de maio deste ano, no Senado.

A obrigatoriedade do ensino da Filosofia e Sociologia no currículo do ensino médio levaram o Congresso Nacional alterar o artigo 36 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. A obrigatoriedade, segundo a lei, entra em vigor a partir da sua publicação no Diário Oficial da União.

Com a concretização de muitas lutas e discussões, nesse dia em que é sancionada a lei pela obrigatoriedade no Ensino Médio, temos um resgate e uma justiça sendo feita. Pois oportunizar que os jovens reflitam sobre si mesmos e sobre a sociedade é fortificar a democracia - “Quanto mais esclarecidos os indivíduos mais esclarecida a sociedade”, afirmava Adorno.

A luta continua e, nas palavras do Dep. Ribamar Alves, em entrevista ao Jornal Corujinha (pág. 3): “Assumi o compromisso de apresentar um PL que virá abrir a discussão e mobilização por todo país para que o Ensino da Filosofia aconteça em todos os níveis escolares e em todas as escolas, ou seja, tornar o ensino de Filosofia obrigatório já no Ensino Fundamental.”.


Resolução – A inclusão de Filosofia e Sociologia no currículo do ensino médio não é novidade para os sistemas estaduais. Em 21 de agosto de 2007, a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE) publicou uma resolução orientando as redes estaduais de educação, que são responsáveis pelo ensino médio, sobre a oferta das duas disciplinas. A Resolução nº 4/2006, da Câmara de Educação Básica/CNE, ofereceu aos sistemas duas alternativas de inclusão: nas escolas que adotam organização curricular flexível, não estruturada por disciplinas, os conteúdos devem ser tratados de forma interdisciplinar e contextualizada; já para as escolas que adotam currículo estruturado por disciplina, devem ser incluídas sociologia e filosofia. A resolução também deu aos sistemas de ensino um ano de prazo para as providências necessárias. Esse prazo termina em 21 de agosto próximo.

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